A Verdade Despida e Crua VOCÊ TEM SEDE DE QUE?

A PALAVRA MAL-DITA

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Implacável como o tempo, a palavra dita nunca se dissipa. Não importa se fria ou furiosa, traindo indiferença ou desprezo, ela ressoa nas aleatórias paredes da memória como juiz e algoz.  A palavra mal-dita vocifera inverdades que não nos pertence e torna a incompreensão, o mais solitário dos sentimentos, presente.

Alheia, ao passado e futuro, machucando o agora, ela delineia a pior versão de nós mesmos para  desconhecermos quem a golpeia sem razão. Mágoa corroendo a corrente sanguínea num fluxo  sem volta, espalhando a toxidade de relações sob pressão.

A palavra incisiva distorce a realidade, tantas vezes emitindo uma vergonha camuflada na pretensão egoísta de domar o que defendemos com igual ferocidade:  aquilo que nos faz e é  particular. A palavra que não volta atrás: como estilhaços atravessando o peito sem ar, viscosidades insuspeitadas de um ser que, abruptamente, se desfigura e corrompe o ato de amar.

Mas, caro amigo, ainda prefiro suas certezas equivocadas, do que a estéril ausência de sinais vitais da consciência e de minha presença. Saber, por mais injusto ou impiedoso que seja, o que o outro pensa sem desenganos. Somente assim me é dado o pleno direito de fazer minhas escolhas sem danos.

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